domingo, 27 de março de 2011

Salve Manoel!!!

Desagrupamento combinado de Manoel de Barros – trechos misturados de poemas de O LIVRO DAS IGNORÃÇAS pra e por mim mesma

Lugar sem comportamento é o coração. Ando em vias de ser compartilhado. Chego mais perto e me estremeço de espírito. Meu olho tem aguamentos.

Minha boca me derrama?

Uma espécie de canto me ocasiona. Sou puxado por ventos e palavras. Confesso meus bestamentos. Preciso do desperdício das palavras para conter-me. Palavra que eu uso me inclui nela. No chão de minha voz tem um outono. Sobre meu rosto vem dormir a noite. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos – O verbo tem que pegar delírio.

Existe um tom de mim no anteceder?

A luz das horas me desproporciona. Não sei mais calcular a cor das horas. Durmo na beira da cor. Há um azul em abuso de beleza.

Eu tenho amanhecimentos precoces?

Eu sou culpado de mim. Nascera engrandecido de nadezas. Chegam aromas de amanhã em mim. Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber: que o esplendor da manhã não se abre com faca. As coisas me ampliaram para menos. Ajeito os ombros para entardecer.

É a sensatez que aumenta os absurdos?

Ando muito completo de vazios. Ninguém que tenha natureza de pessoa pode esconder as suas natências. Quero enxergar as coisas sem feitio. As coisas não querem mais ser vistas por pessoas razoáveis: Elas desejam ser olhadas de azul – Que nem uma criança que você olha de ave. Descbri que todos os caminhos levam à ignorância. Desaprender oito horas por dia ensina os princípios.

Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?

O desenho do céu me indetermina. Me mantimento de ventos. As vezes passo por desfolhamentos. Passa um galho de pau movido a borboletas: Com elas celebro meus órgãos de ver. Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com aves. Foi então que comecei a lecionar andorinhas. Um sabiá me aleluia.


Poesia é voar fora da asa.

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