sábado, 30 de abril de 2011

de agora...


mudez
não é só falta de fala
mas falta do que falar
falta do que pensar antes da fala
falta do que sentir antes do pensamento
falta de ser antes do sentimento
talvez
a desconexão com o desejo primeiro
a insegurança tomando assento
a coragem se escondendo
a certeza da falta, da vulnerabilidade, da humanidade em si

sexta-feira, 29 de abril de 2011

de agora...

nem sempre a sensibilidade é escancarada
há de se buscar dentro
há de se observar no detalhe, na margarida oferecida

deles...


"Quem for capaz de parar de raciocinar - o que é terrivelmente difícil - que me acompanhe."
(Clarice L. - Água Viva)

deles...


"Gosto de nunca. Também gosto de sempre."
(Clarice L. - Água Viva)

corpo dentro


eu amo essa sua voz linda virando gente grande
aliás...amo sua voz desde neném
amo você todo...muito

corpo dentro




eu amo essa sua boca cheia de dentes nascentes...
amo...muito você toda

de agora...


mas tem gente também...
que é de uma fluidez
de um movimento solto de coração
de uma vontade de viver de verdade
de uma disponibilidade para o improviso, para o agora
de uma prontidão pra trocas e vidas
que fica fácil e boa de olhar de ler de ouvir de falar de conviver de confiar
obrigada por que te conheci, obrigada

de agora...


as vezes...
não sei se:
deixo aberto em desalinho...
ou se fecho para balanço.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

de agora...


tem gente que até parece que não sabe...
mas tem no sorriso uma fresta muito aberta
por onde alguns olhos enxergam maravilhas
que existem pra serem vividas com vontade
a mesma que faz querer acertar, que sabe onde quer chegar
com a coragem presente e fartura de energia
pode deixar soltar, isso não te desvia do prumo
só faz o prazer mais presente e mais leve o rumo

deles...


"Vou adiante de modo intuitivo e sem procurar uma idéia:sou orgânica."

(Clarice L. - Água Viva)

coisas de escrever




a caneta distante dentro do bolso da camisa de um poderoso que dorme sem saber do tesouro que guarda...
pra mão de quem a deseja vira a própria impossibilidade, simplesmente.
e...de repente...a tampa some e a visão já é da mesma caneta abandonada em algum lugar qualquer...

terça-feira, 26 de abril de 2011

de agora...


secura na escrita
vou nos meus cantos na busca do que não vem

poderia simplesmente acreditar na tomada do fôlego
mas logo penso na falta de inspiração

sei que não é, pois agoniada bate na porta
o que há entre minha mão e a maçaneta?

que água é essa que me falta?
eu sei...mas não há espaço, não há palavras, não há autorização

só um banco num jardim seco

corpo dentro


as palavras-remédio são como vagões
quando descarrilham
haja saúde!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

deles...


"Seu medo era o de ultrapassar o que via."

(Clarice L. - A Cidade Sitiada)

de agora...


perdi a chave que abre a porta de dentro pra fora
vontade de ficar aqui, não ir embora

calma dia, vou saindo caçando fé
devagarzinho, pé por pé

domingo, 24 de abril de 2011

de agora...


palavras escritas
meu fio de Ariadne
contra eu Minotauro
no labirinto de mim

corpo dentro


no sistema respiratório o órgão responsável pela respiração é o pulmão
mas no sistema amorológico com certeza é o coração

as vezes meu coração precisa prender a respiração
pra depois então voltar a inspirar...e expirar então


sexta-feira, 22 de abril de 2011

...sobre a beleza e o amor


todas as raras vezes em que vejo uma borboleta sozinha
colorindo o meu olhar no concreto da cidade grande
sinto algo como uma espécie de esperança misturada com alívio
dá vontade de parar tudo e ir atrás daquele vôo

...sobre a beleza e o amor


na minha opinião
a vontade de nadar no mar...
a disponibilidade para entregar-se ao amor em todas as suas expressões...
o calor do sentimento...
a coragem para o envolvimento...
deveriam ser mais bem distribuídos no mundo

senão...

de um lado ficam aqueles que acabam minguando
e de outro...
aqueles que ficam eternamente tentando compreender a possibilidade de vida na maré baixa.


quarta-feira, 20 de abril de 2011

deles...


"Gosto de viajar por palavras do que de trem."
(Manoel de Barros)

deles...


"Quem anda no trilho é trem de ferro, sou água que corre entre pedras: liberdade caça jeito."

(Manoel de Barros)

...sobre a beleza e o amor




pra amar com paixão...

precisa coragem pra conhecer a própria fragilidade
pra se fortalecer na reciprocidade
pra mergulhar na entrega sem saber onde vai parar
pra lidar com a incompatibilidade entre a vontade e a possibilidade do encontro
pra ficar vulnerável perante o desconhecimento de si
pra conhecer o que há de mais sensível no sentir
pra confessar-se
pra de repente achar que vai explodir
que vai fugir pra não sentir
que vai morrer de sofrer com a dor do seu amor

pra amar com amor...
precisa já ter se conhecido
precisa continuidade, maturidade, suavidade, liberdade...


humanidades...


segunda-feira, 18 de abril de 2011

corpo dentro


nem só de pão vivemos, mesmo
as vezes o que nos alimenta entra pelo coração e não pela boca
porque primeiro sai dele, ele é a chave de nossa nutrição verdadeira
e as vezes...surpreendentemente no jeito, na hora, no quê...

deles...


Quando Clarice L. diz do seu escrever:

"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse sempre a novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."

"A palavra é o meu domínio sobre o mundo."

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.
Eu não: quero uma verdade inventada."

"Porque há o direito ao grito então eu grito."

"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever."

"Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

"Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio."

"Sou um monte intransponível no meu próprio caminho. Mas às vezes por uma palavra tua ou por uma palavra lida, de repente tudo se esclarece."

"Não se conta tudo porque o tudo é um oco nada."

"Abro o jogo! Só não conto os fatos de minha vida:sou secreta por natureza.
Há verdades que nem a Deus eu contei. E nem a mim mesma. Sou um segredo fechado a sete chaves. Por favor me poupem".

"Não me corrija. A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar."

mata um pouco minha vontade de tê-la conhecido, pois eu também, muitas vezes, vivo duas vidas:

aquela que cabe
e
aquela que se escreve

e isso pode!

de agora...


sim, podemos escolher:
se colocamos água ou álcool
se ajeitamos as madeiras
se fazemos nada pra ver como é que fica
se apenas admiramos ou se nos aquecemos
depende um pouco das condições do vento
um dia de cada vez

domingo, 17 de abril de 2011

deles...


"Um sentir é o do sentente, mas outro é o do sentidor."

(GR-Grande Sertão Veredas)

...DE VEZ EM QUANDO OS SENTIRES SE ENCONTRAM...AÍ...

deles...


"Eu tinha gostado em dormência de Diadorim,
sem mais perceber, no fofo dum costume.
Mas agora, manava em hora, o claro que rompia, rebentava."

(GR-Grande Sertão Veredas)

de agora...


nunca tive dúvidas disso...
mas agora tenho mais certeza ainda:
quer conhecer alguém? veja dançando...
dance sempre

danço, logo existo!

coisas de escrever


beijo de língua portuguesa
não implique, implique-se

sábado, 16 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

...sobre a beleza e o amor


sou encantada com as palavras...mas as vezes elas são insuficientes...
e o Rosa sabia disso desdemente...
a mistura do sensorial com a estética ultrapassam a capacidade palavral
tanto é que existe a pausa...o silêncio...
e...a música
o poema

terça-feira, 12 de abril de 2011

...sobre a beleza e o amor


novas espécies de pássaros encontrados (momento surreal...e...meus minutos de bobeira do dia):

bemtequis
beija boca
amolinha
curioso
joão de vento
pelocano
rosanol
imaginavá
tico teco
gasadelta
falgato
semdor
pelisopcita
cacaminha

ah, por falar em asas...
alguém conhece alguém que já deu banho em galinha?
eu conheço...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

coisas de escrever


re médio
re pouco
re muito

de agora...


onde é mesmo?
perdi o fio da meada
esqueci de fazer igual ao Joãozinho e a Maria
não basta verdade e intensidade
dependendo do local onde me perco
não enxergo mais a luz de antes
a clareira ficou distante e desconhecida
quando o de fora muda o de dentro...
o que significa?
fragilidades...
humanidades...
somos fortes, porém com a referência interna ainda capenga
e os sentimentos ainda bem delicados...

de agora...


ê roda gigante...
cadê aquela eu?

domingo, 10 de abril de 2011

...sobre a beleza e o amor


a corrente do amor tem elos diversificados, únicos, fortes, delicados, misteriosos, óbvios, silenciosos, escandalosos, desinteressados, envolvidos, livres, ligados, doces, sedentos e atemporais...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

...sobre a beleza e o amor


pra florir...

gasta a paciência pra esperar
basta a terra preparar

gasta o movimento de se abrir
basta a vontade de colorir




quinta-feira, 7 de abril de 2011

de agora...


mágica, porém corajosa;
santa, porém humana a capacidade do ser de transformar uma tragédia em liberdade...